domingo, 23 de novembro de 2014

Comunidade do Coque luta para manter área verde

Área Verde

Entidades pediram tombamento de cinco árvores que podem ser erradicadas para a construção do Terminal de Joana Bezerra

Publicado em 23/11/2014, às 07h08


Claudia Parente

Árvores, cercadas por tela de proteção, formam último reduto verde da comunidade / Alexandre Gondim/JC Imagem

Árvores, cercadas por tela de proteção, formam último reduto verde da comunidade

Alexandre Gondim/JC Imagem

O progresso dissociado da sustentabilidade está cobrando um alto preço aos moradores do Coque. A comunidade – que apenas do ponto de vista social pode ser considerada periférica, já que fica localizada no coração do Recife – ressente-se da perda sucessiva de equipamentos históricos, como o casarão da Vila Menezes (antigo comissariado), demolido para a construção da linha férrea do metrô. Agora, luta para preservar o último reduto verde do lugar. Um pedido de tombamento de quatro árvores e uma palmeira está sendo analisado pela Prefeitura do Recife.
Coordenador geral do Ponto de Cultura Espaço Livre do Coque, uma das duas entidades que subscrevem o pedido, Rildo Fernandes afirma que a construção do Terminal Integrado de Joana Bezerra, obra iniciada pelo governo do Estado em 2012, ameaça a sobrevivência do Sítio Histórico do Cajueiro do Coque, como o pequeno fragmento verde será batizado pela comunidade se a PCR acatar o pedido de tombamento. 
“Queremos que seja construída uma praça nesse local. É uma forma de preservar nossa última área verde”, diz Rildo Fernandes. Ele denuncia que as árvores, cercadas por telas de proteção, estão sendo aterradas. A areia já está encobrindo parte do tronco de alguns espécimes. “Elas estão morrendo sufocadas”, alerta, mostrando uma castanhola completamente ressequida.
Nascido e criado no Coque, Rildo, 63 anos, conta que a área onde está sendo construído o terminal era de maré. “Depois de aterrada, muitas famílias passaram a morar ali, mas foram retiradas por causa da obra”, relata. Ele lamenta a perda de referências históricas, como a guarita onde o funcionário da empresa ferroviária ficava, e o gasômetro que armazenava o carvão usado pelas locomotivas.
“Antes de começar essa construção, a gente via até sagui por aqui. Agora, os animais desapareceram”, lamenta, Carlos Costa, conhecida como Carlos da “bike” na comunidade. Tanto Carlos como Rildo se queixam da aridez do Coque. “Todas as ruas são desprovidas de árvores. Anos atrás, a prefeitura plantou algumas espécies, mas não vingaram”, lembra Rildo.
Pelo menos para esse ano, não há nenhum projeto para arborizar a área. “Mas podemos incluir a comunidade no Programa de Recuperação e Implantação de Áreas Verdes (Prav) de 2015”, garante o gerente-geral de controle ambiental do Recife, Ismael Cassimiro. Na próxima semana, a Comissão de Tombamento fará uma vistoria no local.
Questionado sobre o destino das árvores, o secretário executivo de Projetos Especiais da Secretaria das Cidades, Sílvio Bom Pastor, responsável pela obra do TI, disse que o projeto foi modificado para salvar parte do fragmento verde. “Na proposta inicial, das 30 árvores identificadas no entorno do TI, seria erradicadas 28”, informa. “Agora, só vamos retirar sete. Duas já estão mortas.” Ele afirma que, para cada árvore arrancada, serão plantadas três de espécies nativas da mata atlântica no lugar. “Vamos triplicar a área verde da comunidade”, garante.
Fonte:http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/cienciamambiente/noticia/2014/11/23/comunidade-do-coque-luta-para-manter-area-verde-157315.php

sábado, 15 de novembro de 2014

Indígenas fazem curso para recuperar áreas desmatadas em Rondônia

Indígenas fazem curso para recuperar áreas desmatadas em Rondônia

Participaram índios das etnias Cinta Larga; Suruí; Zoró; Arara e Gavião.
Em oito anos de projeto, 30 hectares foram recuperados.

Magda OliveiraDo G1 RO
Participaram índios das etnias Cinta Larga; Suruí; Zoró; Arara e Gavião (Foto: Magda Oliveira/G1)Participaram índios das etnias Cinta Larga; Suruí; Zoró; Arara e Gavião (Foto: Magda Oliveira/G1)
Em Rolim de Moura (RO) município distante 402 quilômetros de Porto Velho, 19 indígenas das etnias Cinta Larga; Paiter Suruí; Zoró; Arara e Gavião se uniram para participar do curso de viveirista que foi realizado de terça-feira (11) a quinta-feira (13) no Viveiro Cidadão. De acordo com o técnico florestal Derlival Batista o objetivo do projeto ‘Territórios Sustentáveis’ é reflorestar áreas desmatadas nas aldeias.
Dentro da aldeia La Petania localizada na linha 11 em Cacoal (RO) o povo Paiter Suruí, desde 2005 vem realizando o reflorestamento de áreas que foram desmatadas há 15 anos, por madeireiros que derrubavam as árvores para vender a madeira de forma ilegal. Segundo o indígena Roni Suruí, de 27 anos, que está participando do curso, as técnicas aprendidas serão repassadas para os demais membros da aldeia.
Em oito anos já conseguimos recuperar 30 hectares."
Roni Suruí
“Todos os anos pegamos uma área para reflorestar, em oito anos já conseguimos recuperar 30 hectares. O conhecimento que estou adquirindo irei aplicar na aldeia, na manutenção do viveiro que já temos, para cultivar mais opções de árvores nativas e frutíferas”, afirmou Roni, contando que o povo Paiter possui 288 mil hectares de floresta em Rondônia e Mato Grosso.
De acordo com o técnico florestal Derlival, durante o curso que tem carga horaria de 24 horas, os indígenas aprenderam a realizar a preparação de mudas, como despolpamento de frutos; coleta de sementes; preparo das sementes; preparo de solo e canteiros; preparo de substrato de sacolas; transplante de mudas e técnicas de construção de viveiro.
O instrutor do projeto é o técnico florestal Derlival (Foto: Magda Oliveira/G1)O instrutor do projeto é o técnico florestal Derlival
(Foto: Magda Oliveira/G1)
“O curso de viveirista foi um pedido que partiu da própria comunidade indígena. Eles tem a necessidade de repovoar a floresta que no passado e até mesmo atualmente sofre com a pressão de madeireiros que se envolvem com o comércio ilegal de madeiras, extinguindo espécies nobres”, contou Derlival.
As espécies de árvores mais almejadas pelos indígenas é a castanha, mogno, cerejeira, cedro rosa, garapeira e angelim. Segundo Derlival os indígenas irão sair do curso preparados para construir viveiros em suas aldeias. No curso foi trabalhada a parte teórica e prática e os índios aprenderam como construir viveiros com materiais da floresta.
O curso foi promovido pelas ONGs Ecoporé, Kanindé e rede ambiental Friends of the Earth Sweden. Participaram do curso indígenas de Cacoal, Espigão do Oeste e Ji-Paraná.]
Fonte:http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2014/11/indigenas-fazem-curso-para-recuperar-areas-desmatadas-em-rondonia.html

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Bomba do Bem' ajuda a reflorestar área queimada no Sul de Minas

Bomba do Bem' ajuda a reflorestar área queimada no Sul de Minas

Mais de mil hectares foram perdidos em São Tomé das Letras, MG.
Voluntários aprenderam a fazer adubo orgânico pela internet.

Do G1 Sul de Minas
Um grupo de voluntários de São Tomé das Letras (MG) começou a fabricar um tipo de adubo orgânico que ganhou o apelido carinhoso de "bomba do bem". O material, feito à base de terra, argila, esterco, água e sementes de árvores nativas e frutíferas da região, é uma tentativa de agilizar a recuperação de mais de mil hectares de mata destruídos por um incêndio este ano.
A técnica de adubação foi descoberta pela internet. A proposta é que o material orgânico e a argila garantam a umidade necessária para o desenvolvimento das sementes. Confeccionada em forma de bola, a "bomba do bem" é arremessada nos pontos atingidos pelo fogo. Em contato com o solo, o material se desfaz e espalha as sementes.
'Bomba do Bem' ajuda a reflorestar área queimada em São Tomé das Letras, MG (Foto: Reprodução EPTV)'Bomba do Bem' ajuda a reflorestar área queimada em São Tomé das Letras, MG (Foto: Reprodução EPTV)
Cerca de três mil bombas de sementes já foram lançadas. Os voluntários acreditam que em poucos meses uma nova vegetação irá nascer na área queimada.

Fonte:http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2014/11/bomba-do-bem-ajuda-reflorestar-area-queimada-em-cidade-da-regiao.html

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Projeto sobre reflorestamento ganha prêmio e é destaque em mato grosso

A Agrícola Alvorada ganhou a 17ª Edição do Prêmio ANDEF 2014, categoria Distribuidores – Responsabilidade Ambiental.
O projeto inscrito foi “Reflorestando e preservando área degradada”. Em parceria com a BASF, a Agrícola Alvorada realizou a recuperação da área de preservação permanente de 5,5 hectares em área rural, com o plantio de 400 mudas de espécies nativas do cerrado na cidade de Primavera do Leste/MT.

O projeto teve início em junho de 2013 e nasceu dentro de outro projeto da distribuidora. “Realizávamos ações de conscientização e sustentabilidade na agricultura. Identificamos a possibilidade e a necessidade de recuperar algumas áreas e hoje estamos felizes e gratos pelo trabalho realizado”, destaca Dalvany Souza Serafim Perius, coordenadora administrativa comercial da Agrícola Alvorada.

O desafio encontrado pela equipe foi fazer o monitoramento das mudas após o plantio, já que o resultado seria em longo prazo. “Com este projeto identificamos que podemos mudar o cenário, reverter o que foi desmatado e preservar o nosso meio ambiente”, afirma Dalvany.

Esse foi o primeiro ano que a Agrícola Alvorada participa do Prêmio ANDEF e já começou como a campeã. “Ganhar esse prêmio foi muito importante pra nós. A ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal) tem muita credibilidade e muitos distribuidores participam para ganhar este prêmio”, conclui a coordenadora.

Sobre o Prêmio ANDEF:

O Prêmio ANDEF é uma iniciativa da ANDEF e dos seus parceiros: ABMR&A, ANDAV, ENACTUS, INPEV e OCB. É um dos mais importantes da agricultura brasileira e, por meio de iniciativas socioambientais, tem a missão de unir e incentivar líderes do setor Agro em busca de uma agricultura cada vez mais sustentável para as futuras gerações do planeta.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        
Sobre a ANDEFedu

A ANDEFedu é a área da ANDEF (Associação Nacional de Defesa Vegetal) destinada à educação, que se dedica a planejar, organizar, inovar, desenvolver novas formas de educar e levar a responsabilidade socioambiental e as boas práticas agrícolas aos campos brasileiros.

Sua missão é atingir, incentivar e ser referência ao empresário rural, a pesquisadores e à sociedade brasileira, por meio de métodos que formem multiplicadores da sustentabilidade, visando a uma agricultura forte e sustentável para o país. Para isso, a ANDEFedu produz há mais de 40 anos conhecimento técnico-científico e melhores recursos para adoção de boas práticas agrícolas na agricultura.

Por esse trabalho de cooperação e a constante busca por melhores técnicas, a ANDEF e suas associadas se encontram em lugar de destaque no meio rural e acadêmico. Seu pioneirismo, sua criatividade, seu ímpeto, possibilitam diversos e excelentes resultados ao empresário rural do Brasil: novas tecnologias, responsabilidade socioambiental, conhecimento, informação, produtos altamente eficazes e, acima de tudo, educação à família rural.

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Fonte:http://www.segs.com.br/demais/11989-projeto-sobre-reflorestamento-ganha-premio-e-e-destaque-em-mato-grosso.html

domingo, 14 de setembro de 2014

OAB/DF PLANTARÁ MAIS DE CEM MUDAS DE PLANTAS NATIVAS DO CERRADO

OAB/DF PLANTARÁ MAIS DE CEM MUDAS DE PLANTAS NATIVAS DO CERRADO

A Comissão de Direito Ambiental da OAB/DF reuniu-se na segunda-feira (19/09) com o secretário de Agricultura do DF, Lúcio Valadão, e com o presidente da Ecodata, Donizete Tokarski. O objetivo foi discutir a parceria no projeto de neutralização do carbono emitido durante a VII Conferência dos Advogados.
Segundo a coordenadora de Eventos da OAB/DF, Patrícia Andrade, depois da conferência foi contabilizada a emissão de carbono com base na produção de resíduos, gasto de energia e meios de transporte utilizados. De acordo com o relatório da Ecodata, do Programa Carbono Zero, o total de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) foi de 26,26 t COe emitidas para a atmosfera.
Valadão garantiu que para a neutralização serão doadas pelo menos cem mudas de plantas nativas do cerrado para plantio de reflorestamento em área a ser brevemente designada. O secretário também sugeriu o plantio no “bosque” da própria Secretaria. O evento está previsto para novembro.
O presidente da comissão, Getúlio Humberto de Sá, aproveitou a oportunidade para convidar o secretário a participar do debate sobre o PL 1876/99 – Novo Código Florestal, a ser realizado na segunda-feira (26/09), às 19h, no edifício-sede da OAB/DF. Na ocasião serão distribuídas mudas e sementes.

Reportagem – Thayanne Braga
Foto – Elaine Carneiro
Coordenação de Comunicação – Jornalismo
OAB/DF

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Projetos de reflorestamento do MDL e VCS agora podem migrar para o Gold Standard

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Mercado de Carbono /

Notícias

Projetos de reflorestamento do MDL e VCS agora podem migrar para o Gold Standard

05/08/2014   -   Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil


O renomado padrão internacional do mercado voluntário de carbono para atividades de redução das emissões de gases do efeito estufa, o Gold Standard (GS), anunciou que a partir de agora os desenvolvedores de projetos florestais que desejarem migrar para a sua plataforma têm esta possibilidade, desde que cumpram as suas diretrizes.

“Isso deve incentivar especialmente os projetos de reflorestamento que já são certificados sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) A/R – afforestation & reforestation –, mas não conseguem vender seus créditos temporários, a migrarem para alternativas funcionais e incrementarem suas atividades”, afirmou o GS.

Sob o MDL, os créditos de projetos do setor florestal sempre tiveram grandes dificuldades de aceitação devido ao seu caráter temporário, que visa lidar com a impermanência desse tipo de atividade no sequestro do dióxido de carbono. Sem conseguir vender os créditos, muitos desenvolvedores se aproximaram do GS na tentativa de migrar para a certificação.

Respondendo a essa demanda, o GS agora permite a transição dos projetos certificados de reflorestamento tanto do MDL quanto do VCS AFOLU para o seu sistema.

“Como sempre, apenas projetos que atendam aos critérios rígidos de qualidade do GS podem se beneficiar dessa abordagem”, completou o GS.

Fonte:http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias/noticia=737843

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Florestas que salvam florestas



Árvore cultivada para produzir papel protege matas nativas

CRISTINA CHARÃO e GIOVANA GIRARDI
Você já pensou quantos hectares de florestas nativas foram derrubados para produzir o papel da revista GALILEU? Muitas pessoas responderiam que foram milhares. Mas a resposta correta é: praticamente nenhum. Há pelo menos 50 anos a melhor forma de obter celulose é com florestas plantadas para essa finalidade. Assim, evita-se que florestas nativas, como a Amazônica e os remanescentes de Mata Atlântica, sejam usadas para produzir papel e também móveis, lenha, carvão vegetal e chapas de madeira. Hoje, além de uma pequena quantidade feita de reciclagem, a maior parte da produção de papel e celulose vem de áreas reflorestadas.
Árvores plantadas servem de matéria-prima para indústrias de papel, carvão e compensados
Não é só a indústria de papel e celulose que está substituindo outros tipos de madeira por eucalipto e pinus - espécies normalmente utilizadas no reflorestamento. Ou- tras empresas, como as que utilizam fornos com carvão vegetal, fabricam de chapas de fibra, compensados e móveis aderiram à idéia.
A preocupação com a preservação das florestas remanescentes tem se tornado cada vez mais importante. Um recente estudo, realizado pelo programa Global Forest Watch da organização não-governamental World Resources Institute (WRI) ao longo de quatro anos, previu: em 20 anos sumirão do mapa mais de 40% dos remanescentes de florestas nativas, que hoje já não passam de um quinto do que eram há um século. Só no Brasil, aproximadamente 15% da Floresta Amazônica já foi desmatado, de acordo com os últimos dados do governo.
Motivos para plantar as árvores que se pretende cortar não faltam. Além de manter florestas nativas em pé, também se evita toda a estrutura que precisa ser criada para que se retire um único tronco de dentro da mata. Estradas, por exemplo. Além de provocarem uma enorme devastação, elas abrem caminho para a ocupação humana e, com isso, mais destruição. Hoje, pode-se diminuir o impacto dessa extração usando, por exemplo, satélites para encontrar as árvores que interessam no meio da floresta. Mesmo assim o plantio se mostra ecologicamente mais correto porque, além de prevenir problemas, cobre com vegetação áreas degradadas.
Usos do eucalipto
Fonte: 'A Cultura do Eucalipto no Brasil' (ano 2000)
Galileu/Galileu 
Papel e celulose
Em média, 1 hectare de plantação de eucalipto possui cerca de 1.500 árvores e estas produzem, aos 7 anos de idade, por volta de 200 m3 de madeira sem casca. Com 4 m3 de madeira de eucalipto é possível obter 1 tonelada de celulose. Para produzir 1 tonelada de papel é utilizada 0,92 tonelada de celulose, acrescida de produtos como amido, caulim, cola e tinta, que dão melhor acabamento ao produto final. O segmento de celulose e papel possui 1,47 milhão de hectares plantados, dos quais 980 mil correspondem a plantações de eucalipto.
Galileu/Galileu 
Lenha e carvão vegetal O carvão é obtido através de um processo de queima da madeira, em fornos de alvenaria, geralmente construídos nas proximidades da fonte da matéria-prima. No início da indústria siderúrgica em Minas Gerais, onde ocorre o maior consumo de carvão do país, as árvores usadas saíam das matas nativas. Hoje quase todo o carvão consumido parte das florestas plantadas para esse fim. A madeira de eucalipto tem sido amplamente utilizada para a produção de lenha e carvão vegetal em razão de características como altos poder calorífico, rendimento no processo industrial e densidade, substituindo o uso de madeira das florestas nativas.
Galileu/Galileu 
Madeira sólida
O segmento engloba madeira serrada, madeira processada para a produção de compensados, aglomerados, lâminas de madeira e chapas de fibra. Essas chapas e painéis são formados por madeira reconstituída (à base de fibras ou partículas) pela colagem de pequenas peças ou lâminas, os chamados painéis compensados. No mercado de chapas duras, o Brasil é o líder mundial, usando o eucalipto como matéria-prima. Em 1999 a produção foi de 536 mil m3, baseada exclusivamente em eucalipto.
Previsões alarmantes sobre as matas nativas faz o reflorestamento ser considerado uma prioridade internacional
Outro ponto positivo é a velocidade do ciclo de vida dessas plantas. Enquanto o do eucalipto é de 7 a 10 anos, outras árvores usadas na Europa, por exemplo, para a fabricação de papel e celulose, têm um ciclo 10 vezes maior.
Somente as vantagens ecológicas, no entanto, não foram suficientes para convencer os empresários do setor madeireiro, carvoeiro e de celulose e papel a tempo de evitar que tantos mognos amazônicos ou pinheiros da Sibéria tombassem. Foi preciso que a ciência provasse que florestas cultivadas também são viáveis economicamente e são capazes de produzir outro tipo de folhas verdes: dinheiro.
Seqüestradoras de carbono
Árvores de reflorestamento ajudam no equilíbrio climático
Galileu/Galileu 
Ilustração: Alex Silva
Árvores adultas (à esquerda): Total de CO2 absorvido na fotossíntese é o mesmo do liberado na respiração
Árvores jovens (à direita): Usam mais carbono devido à formação e, por isso, absorvem mais CO2
'As florestas plantadas concentram matéria-prima homogênea e ordenada. Na natureza, uma árvore boa para corte está sempre muito distante da outra, além de as espécies serem muito diferentes, nem sempre servindo para o mesmo fim', diz Marcio Nahuz, da Divisão de Produtos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT).
Usando ainda o exemplo da estrada, a empresa que planta uma floresta normalmente o faz perto das indústrias, economizando os gastos com o transporte da colheita. 'Tem-se uma produtividade melhor e da espécie apropriada', afirma Nahuz.
Produtividade é um argumento forte para os empresários. Em todo o mundo, apesar de as florestas plantadas ocuparem apenas 3% da área florestal total (o equivalente a 103 milhões de hectares), elas fornecem 22% da madeira consumida para fins industriais. Entretanto, esse resultado ainda não é suficiente: esses números precisam crescer para poder atender à demanda e evitar um desmatamento ainda maior nas florestas nativas.
Aclimatadas em regiões tropicais, árvores têm crescimento mais rápido que nos países de origem
Segundo a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), entidade que congrega empresas que cultivam áreas de reflorestamento, um terço dos 300 milhões de metros cúbicos de madeira consumidos por ano no Brasil vem de florestas plantadas. Estas ocupam 4,8 milhões de hectares, o equivalente a menos de 0,6% do território. A maior parte é voltada para o setor de papel e celulose, que sozinho responde por 1,4 milhão de hectares das florestas plantadas no país.
O Estado com maior participação no país é Minas Gerais, com 1.678.700 hectares de áreas reflorestadas. Em seguida vem São Paulo, com 770 mil hectares, segundo inventário do Instituto Florestal desse Estado. Segundo o presidente da SBS, Nelson Barboza Leite, para atender às necessidades da indústria de base florestal, o percentual no Estado de São Paulo deveria subir para pelo menos 5% e em todo o Brasil, dobrar. 'Isso daria condições para que o crescimento da indústria seja sustentável', disse.
Os avanços brasileiros na silvicultura (cultivo de florestas) são notáveis. Graças ao solo e clima favoráveis, a diferentes árvores e à inventividade dos pesquisadores -, que criaram diferentes métodos de cultivo e melhoraram geneticamente as espécies cultivada - a produtividade das florestas cultivadas no Brasil supera a média mundial.
Galileu/Galileu 
Foto: madeira, Sérgio Dutti
Proteção e economia
Floresta plantada de eucalipto evita danos a matas nativas e diminui gastos da indústria
Enquanto em outros países considera-se um bom resultado colher 25 metros cúbicos por hectare, por aqui consegue-se até 45 metros cúbicos em ciclos de corte bastante curtos (de 7 a 10 anos). Melhores resultados fazem crescer o interesse do empresariado no plantio, diminuindo a pressão sobre áreas nativas. Segundo cálculos do WRI, se a média da produtividade mundial aumentar em 10 metros cúbicos por hectare, com apenas 4% da área florestal do mundo pode-se atender a toda a demanda por madeira.
Clima global
Além de baratear a produção, evitar o desmatamento e preencher campos já devastados, as áreas reflorestadas também colaboram para minimizar o aquecimento glo-bal. Isso porque as florestas cultivadas são mais eficientes que as árvores adultas no seqüestro de carbono da atmosfera - retiram do ar mais gás carbônico (CO2), o principal responsável pelo efeito estufa.
Como estão em permanente crescimento, as árvores plantadas consomem mais carbono que as florestas que chegaram ao clímax, onde há um equilíbrio entre a quantidade de CO2 consumido durante a fotossíntese para fabricar glicose e o liberado pela respiração. Além do carbono usado para se alimentar, elas fixam a substância na forma de matéria seca (madeira).
Por todas essas razões, as florestas plantadas funcionam como agentes de equilíbrio do clima e vários países que abrigam essas plantações querem revisar suas metas de redução de gases estufa por já terem esses ralos de CO2.
São Paulo faz inventário completo
A Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, em parceria com o Instituto Florestal, lançou um inventário inédito no país sobre as áreas reflorestadas do Estado. O estudo foi feito com base em fotos, imagens de satélite de 1999 e 2000, e levantamentos nas propriedades. Os dados apontam que 3,1% do território do Estado são de áreas reflorestadas - cerca de 770 mil hectares, sendo 611 mil de eucalipto e 158 mil de pinus -, o que representa uma queda de 4,3% em relação ao primeiro estudo do gênero, publicado em 93, quando haviam 804.598 hectares de florestas plantadas. De acordo com Francisco Kronka, coordenador do projeto, houve diminuição de cerca de 20% nas plantações de pinus. Uma das explicações seria que essa mão-de-obra é muito barata, não interessando aos agricultores. Em contrapartida, a exportação brasileira de móveis feitos com eucalipto e pinus cresceu mais de 10 vezes, saltando de US$ 40 milhões em 90 para US$ 500 milhões em 2000. Kronka acredita que em breve vai começar a faltar pinus para abastecer essa indústria.

Anote
Para navegar

Fonte:http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT328774-1719,00.html