sábado, 7 de setembro de 2013

Plantas Nativas Flora do Cerrado

Flora do Cerrado

Buriti, ingá, quaresmeira, cagaita, guariroba, pequi, mama-cadela, paineira, angico, jatobá, canela de ema, ipê. Estas são apenas algumas das mais conhecidas plantas nativas do Cerrado. Mas a região é pródiga. No Cerrado, existem mais de 10 mil espécies vegetais identificadas pelos cientistas.
Cerca de 4.400 dessas espécies são endêmicas, ou seja, só existem nesta região. Muitas delas servem como base para a alimentação humana, entre elas, o pequi, o baru, a cagaita, o jatobá e tantas outras, e medicamentos, como o velame, a lobeira, a calunga, o barbatimão e uma infinidade de plantas usadas ancestralmente pelas populações do Cerrado.
O conhecimento dessas comunidades associado ao uso e à aplicação das plantas medicinais do Cerrado também se constitui em um patrimônio cultural de grande importância.
Além da utilidade, a vegetação do Cerrado também é de grande beleza. A imagem de um ipê amarelo florido no período da seca é de rara beleza. É uma explosão de cor que fascina mesmo quem já está habituado a ver essas magníficas árvores no auge da florescência no período da seca. Há outras árvores de rara beleza, como as barrigudas – que lembram os baobás da savana africana -,   as quaresmeiras e as diversas palmeiras que embelezam a região e a fazem um dos mais belos cartões postais do Brasil.
O Cerrado também oferece grande variedade de cactos, bromélias e orquídeas. As palmeiras também são abundantes no bioma. Babaçu,  brejaúba, buriti, guariroba, jussara e macaúba são as conhecidas. Todas carregam nomes indígenas e têm grande valor na vida das comunidades rurais e tradicionais do Cerrado.
Veja também:
- Artigo: Por que as árvores do Cerrado são tortas?
- Seção: Aprender o Cerrado

Saiba mais . Read more:

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Árvore - Porque Plantar?

Uma árvore adulta pode absorver do solo até 250 litros de água por dia. Imagine como elas poderiam ajudar para não ocorrerem tantas enchentes, das quais matam e deixam muitas pessoas sem casas! Junto com toda essa água absorvida, muitos nutrientes de matérias orgânicas (como as fezes dos animais) são absorvidos pelas raízes e transformados através da fotossíntese, em alimento para a toda a planta. Por sua vez, folhas, frutos, madeira e raízes servirão de alimento para diversos seres vivos. Os animais por sua vez, irão defecar o que comeram, e as folhas e frutos que não serviram de alimento caem no solo. Folhas, frutos e fezes de volta ao solo, e todo o ciclo recomeça.

A camada de folhas que se formam a baixo das árvores, servem de berço para as sementes, e para proteger o solo dos pingos da chuva. Cada pingo de chuva que cai diretamente no solo, causa erosão. A erosão do solo pode ser prejudicial em vários casos:
Em rios: A erosão leva terra e areia para o leito (fundo) do rio, fazendo com que o rio fique mais raso, com menor capacidade de guardar água, causando a falta de água nos meses de pouca chuva, além da morte dos peixes.
Para o Solo: A erosão leva embora as sementes que poderiam germinar e recompor a vegetação natural. Ou seja, solo desprotegido tende a continuar desprotegido.
Para os animais: A erosão pode levar embora ninhos de animais que os fazem no chão, e tampar os de diversos outros animais, matando os filhotes que estão dentro. Além do mais, sem vegetação e frutos para alimenta-los, eles vão embora ou morrem de fome.
Para os lençóis freáticos: Os solos sem vegetação, por não terem raízes e minhocas para deixa-lo fofo, não tem uma boa absorção de água. Além do mais, como não há barreiras para a água, ela vai embora rapidamente, não dando tempo para a água da chuva penetrar no solo. Com isso os lençóis freáticos secam, acabando assim com muitos rios e conseqüentemente com nossa água potável.
A copa das árvores também protege o solo da chuva direta, sem contar que suas raízes seguram firmemente o solo. As raízes de árvores que estão nas beira de rios, aparecem as vezes dentro do rio, parecendo cílios. Essas raízes além evitarem a erosão, servem de casa para muitos animais. Por causa destes cílios, a mata próxima aos rios é conhecida pelo nome de Mata Ciliar.
Uma árvore pode transpirar por suas folhas, até 60 litros de água por dia. Este vapor se mistura com as partículas de poluição do ar, e quando se acumulam em nuvens, caem em forma de chuva. Portanto, as árvores ajudam também na retirada de poluentes do ar! Além do mais, este vapor ajuda a equilibrar o clima da região. Isso é facilmente percebido em parques e floretas que tem seu clima mais fresco.
Outro ponto que podemos notar até mesmo em parques no meio de grandes cidades, é o silêncio! As árvores formam uma parede que impede a propagação dos ruídos. Cercas vivas estão sendo muito utilizadas hoje em dia para criar ambientes mais silenciosos e aconchegantes (além de bonitos).

Se ainda assim, você ainda não se convenceu de que deve plantar árvores 
espere para saber mais...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Coleta de sementes florestais nativas

A produção de sementes de alta qualidade é muito importante para qualquer programa de produção de mudas voltado para plantios comerciais, restauração de áreas degradadas e conservação dos recursos genéticos. Durante as etapas de colheita, extração, secagem e beneficiamento, ocorrem os maiores riscos das sementes sofrerem danos, perdendo a sua viabilidade. A produção de sementes de baixa viabilidade significa perda de recursos financeiros. Por conseguinte, é necessário planejar tecnicamente essas etapas para obter sementes de boa qualidade e em quantidade suficiente.

Na floresta nativa existem variações nas diferentes características fenotípicas entre as árvores de uma mesma espécie. Para o objetivo de produção de madeira e outros produtos, deve-se selecionar as melhores árvores. Estas árvores, denominadas de árvores matrizes, são aquelas as quais, comparadas com as outras da mesma espécie, apresentam características superiores. De modo geral, as matrizes selecionadas para a produção de madeira devem apresentar fuste reto, de maior diâmetro e de maior volume. Contudo, algumas características são comuns para todos os objetivos de produção, tais como, boa condição fitossanitária, vigor e produção de sementes. No caso das coletas de sementes para fins de revegetação ambiental, devem-se considerar apenas esses aspectos, não se importando com fuste, forma de copa e outros aspectos produtivos.

É importante destacar que o processo de seleção de árvores matrizes em florestas nativas é mais complicado que em plantios.

Na floresta há árvores de diferentes idades, por isso, uma árvore de maior diâmetro e mais alta pode não ser a melhor para seleção, visto que essa superioridade pode ser devida à árvore ser mais velha e não de origem genética.

Por motivos genéticos, é importante colher sementes de várias árvores. O número de matrizes depende do grupo ecológico que a espécie pertence. Para as espécies pioneiras, que normalmente ocorrem em clareiras, recomenda-se para uso em projetos de recuperação ambiental, colher sementes em 3-4 clareiras (populações), escolhendo ao acaso 3-4 matrizes por população, distanciadas, no mínimo, 100 m entre si para evitar parentesco. Tratando-se de espécies secundárias, sugere-se selecionar 1-2 populações e escolher 10-20 árvores matrizes ao acaso em cada população, também distanciadas, no mínimo, 100 m entre si para evitar parentesco. No caso do Banco de Sementes Florestais (BASEMFLOR), da Embrapa Florestas, além desses procedimentos, as sementes são coletadas separadas por árvore, buscando-se a coleta de 25 % a 30 % de cada árvore vigorosa e aparentemente sadia, de sementes maduras, visualmente normais e sadias. Os padrões de coleta são ajustados por ocasião da coleta de sementes para cada espécie. Busca-se, preferencialmente, a coleta em populações naturais não perturbadas. Entretanto, caso não seja possível, a coleta é realizada mesmo em populações pequenas ou fragmentadas. São evitadas árvores isoladas, normalmente plantadas (dentro de quintais, praças ou em pastagens).

As matrizes devem ser cadastradas e mapeadas com os dados de qualidade das sementes produzidas por safra. Colhidas e analisadas amostras de sementes da terceira safra, será possível calcular a germinação média das sementes produzidas pela árvore matriz e se definir, nessa ocasião, se aquele indivíduo será ou não considerado como matriz para a coleta de sementes.

A coleta deve ser realizada quando as sementes atingem a maturação fisiológica, visto que nessa época elas apresentam maior porcentagem de germinação, maior vigor e maior potencial de armazenamento.

Portanto, é necessário determinar o momento em que a semente atingiu a maturação fisiológica.

O processo de maturação inicia-se com a fecundação do óvulo e se prolonga até a maturação fisiológica. Durante esse processo ocorrem mudanças morfológicas, fisiológicas e bioquímicas nos frutos e sementes, como o aumento de tamanho, do vigor e germinação, variação no teor de água, acúmulo de biomassa seca , densidade aparente e coloração do fruto. Também, diversos compostos orgânicos solúveis, como açúcares, ácidos graxos e aminoácidos se transformam em substâncias mais complexas, como carboidratos, gorduras e proteínas, que são armazenadas principalmente nas células do endosperma e/ou dos cotilédones. Quantidades pequenas de alcalóides, glucosídeos, taninos, óleos essenciais, vitaminas, enzimas, reguladores de crescimento e alguns pigmentos como antocianinas e carotenos vão se acumulando nos diversos tecidos da semente.

A época da colheita varia em função da espécie, do ano e de árvore para árvore. Por isso, há necessidade de acompanhar o estágio de maturação para estabelecer o momento da colheita das sementes. Especialmente para os frutos deiscentes, com sementes pequenas, a definição do momento da coleta é muito importante, pois é necessário colher antes que ocorra a abertura dos mesmos e conseqüentemente a dispersão das sementes.

Coloração dos frutos.


A mudança da cor do fruto, para muitas espécies, é um critério simples e confiável para avaliar a maturação, contudo é necessário que o técnico tenha prática quanto a essa característica. A cor geralmente muda do verde para várias tonalidades de amarelo e marrom. No entanto, nem sempre a modificação na coloração do fruto está associada à maturação da semente. Também a mudança da cor pode ser acompanhada do endurecimento do pericarpo em frutos lenhosos.

A alteração da coloração dos frutos foi um bom indenficador da maturação de algumas espécies, como por exemplo, as sementes de
 Myroxylon balsamum, Citharexylum myrianthum. No entanto, não foi um índice eficiente para determinar a maturação de sementes de Copaifera langsdorffii, de Genipa, e para Ocotea catharinensis.

Á medida que o teor de água da semente diminui com a maturação, a densidade também decresce até atingir um valor característico para a espécie, que representa a maturação. Nessa ocasião, pode ser realizada uma determinação, conhecida como teste de flutuação em líquidos de densidade conhecida. Após a coleta dos frutos, coloca-se uma amostra em um líquido de densidade semelhante à densidade dos frutos na maturação. Se a maioria dos frutos afunda, tem-se a indicação de que eles não estão maduros. Portanto, é necessário esperar mais algum tempo para que se processe a maturação. Pelo contrário, quando os frutos flutuam, podem ser colhidos, visto que atingiram a maturação.

Uma prática interessante consiste em colher alguns frutos e determinar a maturação mediante o exame do conteúdo da semente. Geralmente o embrião e o endosperma (quando presente) passam por uma fase imatura, de aspecto leitoso, seguido de uma fase em que os tecidos se tornam mais firme. Por outro lado, a semente madura possui endosperma firme, assim como embrião firme e totalmente desenvolvido. Desta forma, a análise do conteúdo da semente é realizada da seguinte maneira: corta-se longitudinalmente uma amostra de 10-20 sementes e, utilizando uma lupa (10x ou 20x), faz-se a inspeção. Se o conteúdo (embrião e endosperma) estiver firme, existe a indicação de que a semente provavelmente se encontra madura.

Teor de água.
 A fusão de um dos gametas masculinos com a oosfera forma o zigoto, a partir do qual se desenvolverá o embrião. A fusão do outro gameta masculino com os núcleos polares forma o endosperma. Assim está processada a dupla fecundação, sendo que o óvulo aumenta de tamanho rapidamente, devido ao crescimento e desenvolvimento tanto do tegumento, quanto do embrião e do endosperma. Imediatamente após a formação do zigoto, o teor de água é elevado.

Nas sementes ortodoxas, à medida que a maturação progride, o teor de água decresce, provocando o endurecimento gradual do tegumento, assim como do embrião e do endosperma, até atingir o equilíbrio higroscópico com o ambiente. Se a semente não for coletada, ela pode se deteriorar devido às variações da umidade do ambiente, da temperatura e ação de microorganismos e insetos. Por outro lado, as sementes do tipo recalcitrantes não perdem água tão intensamente como as ortodoxas, à medida que progride a maturação.

A deposição de biomassa seca na semente começa lentamente, para depois iniciar uma fase de rápido acúmulo até que atinge o máximo. Este valor mantém-se mais ou menos constante durante certo período, mas no final pode sofrer um pequeno decréscimo, devido ao gasto de energia pela respiração das sementes. O máximo peso de biomassa seca é o ponto em que a semente alcança a maturidade fisiológica.

Em algumas espécies, as sementes adquirem precocemente a germinação ou seja, poucos dias após a fecundação do óvulo, enquanto que outras só mais tarde. Nos dois casos, a percentagem de germinação aumenta até atingir o máximo, que pode coincidir com o máximo de biomassa seca.

O vigor é uma característica que também acompanha o aumento da biomassa seca, durante a maturação.

Desse modo, a semente atinge o máximo vigor quando alcança o máximo de biomassa seca, podendo haver diferenças em função da espécie e das condições ambientais. Quando o máximo vigor é alcançado, ele tende a se manter no mesmo nível ou decresce dependendo das condições ambientais e do momento da coleta.

Métodos de coleta


Os métodos de coleta variam desde os mais simples, como coleta de sementes ou frutos no chão aos mais avançados, tais como máquinas para sacudir a árvore, guindaste acoplado a um cesto, material de montanhismo, balão ou helicóptero.

Na produção de sementes, a coleta é geralmente o trabalho mais pesado e de maior custo. A escolha do método adequado para a coleta de sementes de espécies florestais depende das condições do sítio, da prática da equipe e, principalmente, das características da matriz e do fruto. O método mais eficiente é aquele que consegue coletar maior quantidade de sementes com menor custo, sem arriscar na qualidade da semente, na segurança da equipe e sem prejudicar a futura produção de sementes. Contudo, não se deve colher a maioria dos frutos, pois é necessário deixar para a alimentação da fauna e para dispersão, conseqüentemente para que ocorra a regeneração da espécie.

Este método caracteriza-se pela coleta de sementes ou frutos que são dispersos próximos da árvore matriz. A coleta no chão é simples e de custo baixo, pois não exige mão-de-obra qualificada, como no caso de escalada de árvores. Recomenda-se:

• quando os frutos ou sementes não são do tipo anemocóricos;
• quando os frutos grandes, pesados e indeiscentes;
• quando não for possível escalar a árvore;
• quando os frutos ou sementes não são muito atacados por animais, insetos e fungos.

O tamanho do fruto é muito importante, pois quanto maior, mais fácil é a coleta. Geralmente os primeiros frutos que caem são de baixa qualidade, apresentando sementes imaturas, vazias ou inviáveis.

As principais desvantagens desse método é que as sementes dispersas no solo estão mais susceptíveis ao ataque de insetos e roedores, e a contaminação por fungos do solo. Além disso, há maior dificuldade de identificar a árvore matriz que deu origem às sementes. Têm-se observado que sementes de Araucaria angustifolia colhidos no chão, logo após a queda das pinhas, apresentam germinação mais elevada, quando comparadas àquelas colhidas diretamente na árvore. Possivelmente, por não se encontrarem ainda no ponto de maturidade fisiológica.

Para facilitar a coleta e diminuir os danos às sementes, deve-se limpar o terreno e entender uma lona ou ainda colocar coletores na projeção da copa da árvore matriz. Também é importante realizar a coleta logo após a dispersão dos frutos ou sementes para diminuir o ataque de fungos, insetos e roedores e para evitar a germinação prematura nas sementes do tipo recalcitrantes.

Nas espécies em que os frutos se desprendem facilmente, pode-se induzir a queda dos mesmos artificialmente. Em árvores pequenas é possível sacudir o tronco ou os galhos com a mão, para que as sementes ou frutos caiam sobre uma lona ou sombrite.

Este método permite a identificação da matriz e também aumenta o rendimento na operação. Em árvores mais altas, pode-se balançar os galhos com auxílio de um gancho, acoplado a um cabo de alumínio ou vara de bambu, e também fazer uso de uma corda. Para utilizar esta, primeiramente amarra-se um chumbo de aproximadamente 50 g em uma linha de nylon (tipo pedreiro) e posteriormente lança-a sobre o galho que se deseja balançar. O chumbo pode ser lançado à mão, com estilingue, com besta ou arco. Após o lançamento, tira-se o chumbo e amarra-se uma corda trançada de 3 mm a 4 mm ao fio de naylon, puxando de volta para o galho ficar laçado. Para balançar o galho e conseqüentemente cair os frutos, recomenda-se amarrar as pontas da corda. A corda deve ficar na extremidade do galho, a fim de se obter o máximo de efeito, e não perto do fuste onde o galho é mais grosso.

Existem vibradores mecânicos para sacudir a árvore matriz . Contudo, essas máquinas são caras, requerem terrenos planos e é necessário que o operador seja experiente para não danificar as matrizes. Essas máquinas não são apropriadas para coleta de sementes em florestas nativas, mas podem ser utilizadas em pomares de sementes.

Podem-se coletar sementes diretamente da copa com a mão em arbustos e árvores de pequeno porte, como
 Duranta vestita. Neste caso, é possível aumentar a eficiência do trabalho, estendendo uma lona no solo para depositar os frutos ou puxando o galho com um gancho ou corda. A corda pode ser segurada com os pés ou amarrada em outro galho. Assim, pode-se usar as duas mãos para colher os frutos.

Quando os galhos estão fora do alcance das mãos, existem várias ferramentas que o coletor pode utilizar para coletar os frutos. Uma delas é o gancho, que é utilizado para abaixar os galhos mais flexíveis e, com uma tesoura de poda corta-se o pedúnculo dos frutos ou pequenos galhos, nos quais estão inseridos um conjunto de frutos. Por exemplo, em
 Miconia cinamommifolia, corta-se um galho pequeno, onde estão normalmente muitos frutos. Deve-se tomar o cuidado para não cortar muitos galhos para não danificar a matriz e conseqüentemente a produção de sementes do ano seguinte.

Uma ferramenta muita utilizada para cortar galhos é o podão, que consta de um cabo de alumínio, bambu ou plástico, acoplado a uma tesoura e serra.

Existem cabos telescópicos e leves que facilitam o seu manejo e atingem altura de 6 m a 8 m ou mais.

Outra forma consiste em lançar a linhada sobre o galho, que tem frutos, para romper os galhos, diferentemente do método utilizado para sacudi-los. A linhada consta de um fio de naylon trançado de aproximadamente 4 mm, possuindo na extremidade um peso de 200 g a 250 g de ferro, chumbo ou madeira. O fio deve ser bem comprido, de 50 m a 60 m para não escapar da mão após o lançamento. A maneira de lançar depende do treino do operador, mas com habilidade pode alcançar de 20 m a 30 m de altura. Este método não é muito recomendável visto que pode causar injúrias e conseqüentemente predispor a matriz a pragas e doenças, além de afetar a produção de sementes no próximo ano.



Outro método para cortar galho com frutos, usado na Austrália para pequenas amostras de sementes de eucalipto, é o rifle de grande calibre com mira telescópica. Consegue-se derrubar galhos de até 15 cm de diâmetro.

Este método só deve ser praticado quando se deseja aproveitar as sementes das árvores que estão sendo cortadas, por exemplo, construção de uma hidroelétrica, construção de estradas, entre outros.

Neste caso, é preciso sincronizar a exploração florestal com o momento da maturação das sementes. Deve-se selecionar e marcar as árvores matrizes cortá-las, colher os frutos e só depois efetuar a exploração florestal.

Após a coleta dos frutos, estes devem ser transportados o mais breve possível até o local de beneficiamento. A permanência dos frutos no campo por maior tempo pode danificar as sementes, sujeitas às variações ambientais. Antes do transporte, é necessário identificar as embalagens nas quais forem colocados os frutos. Recomenda-se o preenchimento de duas etiquetas, colocando uma no interior da embalagem e outra por fora. Nessas etiquetas deve ser anotado o nome da espécie, número da árvore matriz ou da população, data, nome do coletor e local da coleta, em acordo com o conteúdo da ficha de coleta de sementes. Estas informações são importantes para manter a identidade da matriz ou população e formação do lote de sementes.

Durante o transporte, devem-se tomar cuidados para não danificar as sementes, pois pancadas podem causar quebra no tegumento e em outras partes da semente. Como geralmente as sementes estão com alto teor de água, elas podem ser facilmente danificadas por amassamento, pelas altas temperaturas, fungos e insetos.
http://www.remade.com.br/br/revistadamadeira_materia.php?num=1464&subject=Sementes&title=Coleta%20de%20sementes%20florestais%20nativas

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Caminho da Harmonia com Bonsai

Entrevista com Sergivaldo Costa

Postado em Bonsai - Bonsaistas do BrasilBonsai - Entrevistas no Brasil com as tags , em 7 d e outubro d e 2010 por aidobonsai

Comemorando um ano do meu blog, gostaria de compartilhar com meus leitores e amigos que frequentam o Aido Bonsai, uma série de entrevistas com os bonsaístas brasileiros que chamam a minha atenção com seu trabalho e dedicação à nossa arte. Muito me orgulho em começar com os trabalhos de Sergivaldo Costa. Seus bonsais tem  grande cuidado estético, possuem lindos nebaris e trazem consigo toda beleza das árvores nativas da sua região. Gostaria aqui de agradecer a disponibilidade e a velocidade com que ele atendeu ao meu pedido de entrevista.
1 – Quando você se interessou e começou a se dedicar à arte do bonsai ?
Tudo começou em setembro de 1984, quando estava numa estação rodoviária à espera do ônibus para ir ao trabalho, e encontrei numa banca de revistas a “Edição Especial da Revista dos Amantes da Natureza – BONSAI”. Fiquei fascinado e, a partir dali, comecei a tentar fazer bonsai com todo tipo de plantas que encontrava pela frente: mangueira, jambeiro, pimenteira, flamboyant, etc.
2 – Quais espécies você mais gosta de trabalhar?
Entre as espécies que cultivo, as que mais gosto de trabalhar são o umarizeiro-bravo (Calliandra spinosa) e a jurema-branca (Pithecellobium dumosum). Ambas, pelas suas características (folhas pequenas, fácil enraizamento, brotação vigorosa após as podas e intensa ramificação), são excelentes para o cultivo do bonsai; mas a primeira, pela exuberância da textura do tronco e floração é, sem dúvida, a minha preferida.
Umarizeiro bravo   –   (Calliandra spinosa )
Jurema branca  -  Pithecellobium dumosum
3 – Que espécie você gostaria de trabalhar mas as circustâncias de clima e adaptação não permitem?
Ah, são várias espécies que adoraria poder cultivar mas, infelizmente, o clima da região onde moro não permite. Posso citar, por exemplo, oAcer palmatum e tantos outros áceres; especialmente um que tem uma coloração encantadora: a Azalea satzuki.
Azalea satzuki – US National Arboretum Bonsai Collection
Acer palmatum – Mr. Walter Pall
4 – Dos seus trabalhos, qual você destaca com um carinho especial? Me fale um pouco sobre ele.
Não possuo muitos exemplares na minha coleção, mas é difícil destacar uml. Cada planta tem uma história importante para mim e várias tem significado especial: o Ficus microcarpa, o primogênito; oPitheceelobium dulce, pela experiência de aprendizado que me proporcionou; o “gigante” araçá-piroca (Myrcia cf. Multiflora)pela sua imponência (para mim) e aventura que foi  fazer esse yamadori,  etc.
Ficus microcarpa – O primogênito em 1996
Ficus microcarpa – O primogênito em 2008
Ficus microcarpa – O primogênito em 2009
Arrebenta boi  -  Myrcia  Multiflora
5 –  Você gosta mais de algum estilo de bonsai em particular? Qual?
Os estilos que mais me atraem no bonsai são aqueles que transmitem a idéia de dramaticidade, como por exemplo, o varrido-pelo-vento(Fukinagashi).
Para saber mais sobre o estilo Fukibagashi acesse:http://aidobonsai.wordpress.com/2009/06/06/a-arvore-e-o-vento/
6 – O que a arte do bonsai agregou na sua vida ?
Sou um pouco estressado e não sei como seria minha vida sem o bonsai. Quando estou entre minhas plantas esqueço-me dos problemas e me sinto mais feliz. Além disso, o bonsai permitiu-me conhecer pessoas diferentes e fazer boas amizades.
Araçá-piroca (Myrcia cf. multiflora)
Calliandra spinosa
7 – Você acha que um bonsai deve seguir uma ordem rígida de técnicas e estética, ou deve seguir uma forma mais livre e artística ?
Eu encontrei minha forma de fazer bonsai e sinto-me realizado com isso. Comecei aprendendo sobre as regras, lendo bastante e analisando os trabalhos de vários mestres, dos quais busquei inspiração.
Sou perfeccionista por natureza e graças a isso não me acomodo com a ilusão de que faço um trabalho maravilhoso. Talvez aí resida minha obsessão pela busca do aprimoramento, pela compreensão de que, por trás de regras supostamente rígidas, exista uma razão lógica para realizarmos, com sucesso, trabalhos agradáveis aos nossos olhos.
Entretanto, penso que cada um deva buscar o caminho que mais o faz sentir-se realizado, quer seja seguindo regras ou de forma livre e descontraída.
Acredito que meu trabalho é uma mistura de tudo aquilo que vi e aprendi.
Umarizeiro-bravo (Calliandra spinosa)
Calliandra spinosa
8 – Qual bonsaísta (um ou mais) chama a sua atenção hoje no cenário mundial?
O Robert Steven, da Indonésia, é o bonsaísta que mais me chama a atenção do cenário mundial atual. Seus trabalhos falam por si só e seus livros mostraram-me caminhos a percorrer que nenhum outro bonsaísta, até então, ousou mostrar.
9 – Que conselhos você daria para quem está começando a se dedicar à arte do bonsai?
1)    Bonsai é tempo e paciência, sinta-se feliz com o que está produzindo no momento, mas não se iluda acreditando que descobriu a fórmula mágica de fazer um novo bonsai artístico rapidamente.
2)    Leia o máximo que puder sobre bonsai, participe de eventos, aprenda com os mais experientes e compartilhe o que já aprendeu.
Carqueijo (Calliandra depauperata)
10 – Diga uma frase, um pensamento, que você ache que sintetiza nossa arte.
Bonsai é arte e, como tal, cada trabalho expressa um sentimento de nossas almas.
Tataré (Pithecellobium tortum)

Entre na galeria ou veja o slide show com mais trabalhos do Bonsaista Sergivaldo Costa.
Fonte:
http://aidobonsai.com/tag/plantas-nativas-do-brasil/

domingo, 18 de agosto de 2013

Plantas Nativas -Recuperação de Matas Ciliares




O processo de ocupação do Brasil caracterizou-se pela falta de planejamento e conseqüente destruição dos recursos naturais, particularmente das florestas. Ao longo da história do País, a cobertura florestal nativa, representada pelos diferentes biomas, foi sendo fragmentada, cedendo espaço para as culturas agrícolas, as pastagens e as cidades.
A noção de recursos naturais inesgotáveis, dadas as dimensões continentais do País, estimulou e ainda estimula a expansão da fronteira agrícola sem a preocupação com o aumento ou, pelo menos, com uma manutenção da produtividade das áreas já cultivadas. Assim, o processo de fragmentação florestal é intenso nas regiões economicamente mais desenvolvidas, ou seja, o Sudeste e o Sul, e avança rapidamente para o Centro-Oeste e Norte, ficando a vegetação arbórea nativa representada, principalmente, por florestas secundárias, em variado estado de degradação, salvo algumas reservas de florestas bem conservadas. Este processo de eliminação das florestas resultou num conjunto de problemas ambientais, como a extinção de várias espécies da fauna e da flora, as mudanças climáticas locais, a erosão dos solos e o assoreamento dos cursos d'água.
Neste panorama, as matas ciliares não escaparam da destruição; pelo contrário, foram alvo de todo o tipo de degradação. Basta considerar que muitas cidades foram formadas às margens de rios, eliminando-se todo tipo de vegetação ciliar; e muitas acabam pagando um preço alto por isto, através de inundações constantes.
Além do processo de urbanização, as matas ciliares sofrem pressão antrópica por uma série de fatores: são as áreas diretamente mais afetadas na construção de hidrelétricas; nas regiões com topografia acidentada, são as áreas preferenciais para a abertura de estradas, para a implantação de culturas agrícolas e de pastagens; para os pecuaristas, representam obstáculos de acesso do gado ao curso d'água etc.
Este processo de degradação das formações ciliares, além de desrespeitar a legislação, que torna obrigatória a preservação das mesmas, resulta em vários problemas ambientais. As matas ciliares funcionam como filtros, retendo defensivos agrícolas, poluentes e sedimentos que seriam transportados para os cursos d'água, afetando diretamente a quantidade e a qualidade da água e conseqüentemente a fauna aquática e a população humana. São importantes também como corredores ecológicos, ligando fragmentos florestais e, portanto, facilitando o deslocamento da fauna e o fluxo gênico entre as populações de espécies animais e vegetais. Em regiões com topografia acidentada, exercem a proteção do solo contra os processos erosivos.
Apesar da reconhecida importância ecológica, ainda mais evidente nesta virada de século e de milênio, em que a água vem sendo considerada o recurso natural mais importante para a humanidade, as florestas ciliares continuam sendo eliminadas cedendo lugar para a especulação imobiliária, para a agricultura e a pecuária e, na maioria dos casos, sendo transformadas apenas em áreas degradadas, sem qualquer tipo de produção.

É necessário que as autoridades responsáveis pela conservação ambiental adotem uma postura rígida no sentido de preservarem as florestas ciliares que ainda restam, e que os produtores rurais e a população em geral seja conscientizada sobre a importância da conservação desta vegetação. Além das técnicas de recuperação propostas neste trabalho, é fundamental a intensificação de ações na área da educação ambiental, visando conscientizar tanto as crianças quanto os adultos sobre os benefícios da conservação das áreas ciliares.
A definição de modelos de recuperação de matas ciliares, cada vez mais aprimorados, e de outras áreas degradadas que possibilitam, em muitos casos, a restauração realativamente rápida da cobertura florestal e a proteção dos recursos edáficos e hídricos, não implica que novas áreas possam ser degradadas, já que poderiam ser recuperadas. Pelo contrário, o ideal é que todo tipo de atividade antrópica seja bem planejada, e que principalmente a vegetação ciliar seja poupada de qualquer forma de degradação.
As matas ciliares exercem importante papel na proteção dos cursos d'água contra o assoreamento e a contaminação com defensivos agrícolas, além de, em muitos casos, se constituírem nos únicos remanescentes florestais das propriedades rurais sendo, portanto, essenciais para a conservação da fauna. Estas peculiaridades conferem às matas ciliares um grande aparato de leis, decretos e resoluções visando sua preservação.
O novo Código Florestal (Lei n.° 4.777/65) desde 1965 inclui as matas ciliares na categoria de áreas de preservação permanente. Assim toda a vegetação natural (arbórea ou não) presente ao longo das margens dos rios e ao redor de nascentes e de resevatórios deve ser preservada.
De acordo com o artigo 2° desta lei, a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada está relacionada com a largura do curso d'água. A tabela apresenta as dimensões das faixas de mata ciliar em relação à largura dos rios, lagos, etc.
Situação
Largura Mínima da Faixa
Rios com menos de 10 m de largura
30 m em cada margem
Rios com 10 a 50 m de largura
50 m em cada margem
Rios com 50 a 200 m de largura
100 m em cada margem
Rios com 200 a 600 m de largura
200 m em cada margem
Rios com largura superior a 600 m
500 m em cada margem
Nascentes
Raio de 50 m
Lagos ou resevatórios em áreas urbanas
30 m ao redor do espelho d'água
Lagos ou reservatórios em zona rural, com área menor que 20 ha
50 m ao redor do espelho d'água
Lagos ou reservatórios em zona rural, com área igual ou superior a 20 ha
100 m ao redor do espelho d'água
Represas de hidrelétricas
100 m ao redor do espelho d'água





Um ecossistema torna-se degradado quando perde sua capacidade de recuperação natural após distúrbios, ou seja, perde sua resiliência. Dependendo da intensidade do distúrbio, fatores essenciais para a manutenção da resiliência como, banco de plântulas e de sementes no solo, capacidade de rebrota das espécies, chuva de sementes, dentre outros, podem ser perdidos, dificultando o processo de regeneração natural ou tornando-o extremamente lento.
Uma floresta ciliar está sujeita a distúrbios naturais como queda de árvores, deslizamentos de terra, raios etc., que resultam em clareiras, ou seja, aberturas no dossel, que são cicatrizadas através da colonização por espécies pioneiras seguidas de espécies secundárias.
Distúrbios provocados por atividades humanas têm, na maioria das vezes, maior intensidade do que os naturais, comprometendo a sucessão secundária na área afetada. As principais causas de degradação das matas ciliares são o desmatamento para extensão da área cultivada nas propriedades rurais, para expansão de áreas urbanas e para obtenção de madeira, os incêndios, a extração de areia nos rios, os empreendimentos turísticos mal planejados etc.
Em muitas áreas ciliares, o processo de degradação é antigo, tendo iniciado com o desmatamento para transformação da área em campo de cultivo ou em pastagem. Com o passar do tempo e, dependendo da intensidade de uso, a degradação pode ser agravada através da redução da fertilidade do solo pela exportação de nutrientes pelas culturas e, ou, pela prática da queima de restos vegetais e de pastagens, da compactação e da erosão do solo pelo pisoteio do gado e pelo trânsito de máquinas agrícolas.
O conhecimento dos aspectos hidrológicos da área é de suma importância na elaboração de um projeto de recuperação de mata ciliar. A menor unidade de estudo a ser adotada é a microbacia hidrográfica, definida como aquela cuja área é tão pequena que a sensibilidade a chuvas de alta intensidade e às diferenças de uso do solo não seja suprimida pelas características da rede de drenagem. Em nível de microbacia hidrográfica é possível identificar a extensão das áreas que são inundadas periodicamente pelo regime de cheias dos rios e a duração do período de inundação.
Estas informações são extremamente importantes na seleção das espécies a serem plantadas, já que muitas espécies não se adaptam a condições de solo encharcado, ao passo que outras só sobrevivem nestas condições.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Mudas de Plantas Nativas da Caatinga


Nos últimos meses o pesquisador e consultor ambiental Getson Luís tem dedicado-se a produção de mudas de espécies nativas da caatinga do Seridó do Rio Grande do Norte com sucesso. Já são mais de 15 espécies nativas produzidas com êxito, já ultrapassando as 10 mil mudas produzidas.
Viveiro de mudas
As mudas estão sendo produzidas no viveiro da SUSA mineração no município de Cruzeta com o objetivo de fazer a recuperação das áreas degradadas pela atividade mineral, bem como para serem fornecidas para os municípios e comunidades circunvizinhas.
O viveiro tem capacidade de armazenar 10 mil mudas que são produzidas com sementes de plantas nativas coletadas na própria região. As principais espécies produzidas são o angico vermelho, angico branco, pau d’arco roxo, cumaru, mulungu, juazeiro, umbuzeiro, catingueira, jucá, algodão branco, mororó, aroeira, dentre outras.
A produção de plantas nativas da caatinga é uma atividade que demanda muito tempo e conhecimento acerca dos períodos certos para a germinação e plantio das sementes, bem como o desenvolvimento de um substrato adequando para facilitar a germinação das mesmas. Para garantir a produção de mudas, foi criado um banco de sementes nativas e qualificada mão de obra para trabalhar com esta atividade.
Instituições interessadas em adquirir mudas de plantas nativas ou montar seu próprio viveiro, podem entrar em contato com o pesquisador.
Getson Luís
getsonluis@gmail.com
(84) 9941-6003
Fonte:http://www.portaldoserido.com/?p=207

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Diversidade e uso das plantas nativas


Maria do Socorro Bona Nascimento*
Maria Elisabete Oliveira*

As plantas nativas constituem importante patrimônio cultural e econômico para as populações locais. O melhor conhecimento dessas plantas, sobretudo pelos jovens, cria um elo entre as gerações, valorizando-se assim as raízes culturais e assegurando a continuidade do saber local. Além disso, o conhecimento leva à apreciação e esta ao uso racional, que, por sua vez, reduzirá a crescente ameaça à biodiversidade.

Em três assentamentos localizados em São João do Piauí, a Embrapa Meio-Norte, contando com a parceria da Universidade Federal do Piauí, realizou um levantamento sobre as plantas locais e seus usos. As citações foram espontâneas, pedindo-se apenas às pessoas que fossem relacionadas separadamente as árvores/arbustos e as herbáceas/subarbustos. Foram respondidos 52 questionários, por pessoas indicadas como detentoras de conhecimento sobre as plantas.

No total, foram citadas 82 plantas e os usos forrageiro, apícola, medicinal, madereiro, melhoramento de solo, produtoras de carvão, lenha e vara. Outras utilidades, relacionadas em menor escala, foram o emprego em artesanato (confecção de chapéus, vassouras, cestos e esteiras), na alimentação humana e na produção de sombra. Ocorreram ainda indicações de plantas ”produtoras de veneno” sejam aquelas usadas no controle das pragas agrícolas ou as tóxicas aos animais.

As plantas mais citadas foram catingueira, marmeleiro e angico-de-bezerro (ou catanduva), com mais de 50% das citações. Em uma segunda categoria, com menos de 50% a 20% das citações, destacaram-se angico, jitirana, camaratuba e jurema preta. Portanto, as plantas lenhosas e perenes, que são predominantes na vegetação local, foram as mais citadas. Entre as herbáceas e anuais descaram-se jitirana, bamburral, cabeça-branca, malva e mata-pasto.

Os fatores mais importantes para a citação de uma espécie de planta foram a sua abundância na área, seguida da sua utilidade. Assim, verificou-se que a catingueira, apesar de não se destacar nas citações de uso, tendo porém ocorrência muito comum, foi a mais citada.

O angico-de-bezerro, de menor ocorrência, porém com vários usos, foi a terceira mais citada. O marmeleiro, de elevado uso e alta ocorrência, ficou em segundo lugar. Ressalte-se que algaroba (esta apesar de não ser nativa já é natuzalizada na região) e o juazeiro foram citadas somente por 19% e 16% dos entrevistados, respectivamente, por não serem comuns na área do assentamento.

Considerando-se o uso, a categoria mais citada foi a forrageira, com 186 citações, seguindo-se as categorias madereira e medicinal (ambas com 75 citações), apícola (58) e lenha (43). Como uso na alimentação humana foram citadas, por apenas uma pessoa, guabiraba e umbuzeiro, indicando que a população não depende das plantas locais para sua própria alimentação.

As plantas mais citadas como forrageiras, em ordem decrescente, foram angico-de-bezerro, marmeleiro, jitirana e camaratuba. Como apícolas destacaram-se bamburral, marmeleiro, angico-de-bezerro, mofumbo e camaratuba. O marmeleiro sobressaiu também como medicinal, seguido pelo angico-de-bezerro e o mofumbo. O angico-de-bezerro foi também a espécie mais citada como madereira.

Portanto, excetuando-se a alimentação humana, ficou notória a múltipla utilidade das plantas locais para a população, o que indica a importância da divulgação do seu valor e de medidas que assegurem sua proteção contra as diversas pressões de uso, que podem levar ao desaparecimento das espécies mais usadas.

Esse desaparecimento diz respeito não somente às populações locais mas também à sociedade de forma mais ampla, pelo potencial de uso, das próprias plantas ou de seus produtos, em regiões onde não ocorrem naturalmente.

Nomes populares e os respectivos nomes científicos das plantas citadas:
Algaroba – Prosopis juliflora (Sw.) DC
Angico - Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
Angico-de-bezerro (ou catanduva) - Piptadenia moniliformis Benth
Bamburral - Hyptis suaveolens (L.) Poit.
Cabeça-branca – Althernanthera brasiliana (L.) Kuntze
Camaratuba - Cratylia mollis Mart. ex Benth
Catingueira – Caesalpinia bracteosa Tul.
Guabiraba - Campomansia sp.
Jitirana - Ipomoea sp.
Juazeiro - Ziziphus cotinifolia Reissek.
Jurema preta – Mimosa tenuiflora (Willd.) Poiret.
Malva – Sida cordifolia L., S. acuta Burm., S. angustifolia A.St.-Hil. e S. rhombifolia L.
Marmeleiro - Croton sonderianus Muell. Arg.
Mata-pasto - Senna obtusifolia (L.) Irwin & Barneby
Mofumbo – Combretum leprosum Mart..
Umbuzeiro – Spondias tuberosa Arruda


-* Maria do Socorro Bona é doutora em Manejo de Pastagem Nascimento e pesquisadora da Embrapa Meio-Norte (Teresina- PI) - sbona@cpamn.embrapa.br
-* Maria Elisabete Oliveira é professora da Universidade Federal do Piauí